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Congresso em Foco
10/01/2018 | Atualizado às 18h46
<< Veja a relação dos ministros e seus respectivos parentes políticos"A política brasileira contemporânea é conduzida por unidades familiares. A unidade operacional da política brasileira são as famílias. É uma relação política de caráter familiar. Não passa às vezes por partidos, associações e de grupos de interesse", explica o professor de Ciências Sociais da UFPR Ricardo Costa de Oliveira, um dos autores do estudo. "A nomeação da Cristiane confirma que política no Brasil é um negócio de família", acrescenta. Outros poderes A prática detectada no Executivo também se reproduz no Judiciário e no Legislativo, como revelou a Revista Congresso em Foco. Pelo menos 319 deputados (62%) e 59 senadores (73%) têm vínculos de sangue com outros políticos. Entre eles, a própria Cristiane, deputada cuja indicação ao ministério está sub judice por causa de suas encrencas na Justiça trabalhista. No Judiciário, juízes e desembargadores costumam passar suas togas para os filhos, também magistrados, advogados ou procuradores.
<< A incrível bancada dos parentes na Câmara << A incrível bancada dos parentes no SenadoSe os laços sanguíneos com o presidente do PTB foram determinantes para a nomeação de Cristiane, há casos em que o sobrenome ficou em segundo plano. Conhecido como "rei da soja" na década de 90, Blairo Maggi (Agricultura), por exemplo, repassou esse título ao primo Erai Maggi, que integra o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e já foi pré-candidato a senador. Os primos fazem parte de uma das famílias mais ricas do país, com forte atuação no agronegócio. Roberto Freire, ex-ministro da Cultura, também pode alegar que teve pouca influência familiar. Foi casado com a filha de um ex-senador. Filho de um ex-interventor de Goiás, sobrinho de um ex-governador do estado, Henrique Meirelles (PSD), um dos ícones do capitalismo nacional, é primo do ex-deputado Aldo Rebelo, comunista histórico e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Titular da Justiça, Torquato Jardim é neto, bisneto e trineto de ex-presidentes da então Província de Goiás, além de primo do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Entre os ministros com parentes na política, sete são do PMDB, três do PSDB e dois PP. DEM, Podemos, PPS, PR, PSB, PSD, PTB e PV, com um nome cada, completam a lista, que ainda tem Torquato Jardim sem partido. Na conta não estão incluídos nomes que vêm de forte tradição familiar em outras áreas. O general Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), por exemplo, é filho do também general de Brigada Leo Guedes Etchegoyen. Pai de Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Pedro Salomão José Kassab foi presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) por seis mandatos e da Associação Mundial de Saúde. Familismo O professor Ricardo Costa de Oliveira diz ao Congresso em Foco que o "familismo" gera impacto no dia a dia do brasileiro. "O impacto é um governo que trabalha para os interesses desses grupos familiares, elitizados, que têm uma visão de reprodução dos poderes sociais e políticos. Representa a manutenção do status-quo do Brasil tradicional. Daí vem o pacote concentração de renda, exclusão social, interesses privados... Esse é o retrato do governo Temer, uma gestão de interesses familiares. Cada ministério atua para beneficiar sua parentela. A tendência é só piorar. Se olharmos o corpo a corpo, cada ministro vai reforçar eleitoralmente as mesmas famílias nas eleições de 2018", observa o professor, uma das principais referências no estudo da influência das famílias nos três poderes no Brasil. Autores do estudo "Prosopografia familiar na Operação Lava Jato e do Ministério Temer", Ricardo Costa e os também professores José Marciano Monteiro (UFCG), Mônica Helena Harrich Silva Goulart (UTFPR) e Ana Crhistina Vanali (UFPR) veem na política brasileira um padrão. "A mesma centralidade na hereditariedade, reprodução de capitais sociais familiares, escolarização de elite, trajetórias dentro da elite estatal, relações familiares e políticas decisivas para as carreiras da grande maioria dos atores pesquisados em suas biografias, cargos e itinerários ideológicos tradicionais, preferencialmente à direita política e conservadores", avaliam. "Ministros de Temer não são membros da 'classe média', ou apenas técnicos e gestores, quase todos são membros, ou casaram, com importantes famílias políticas presentes ao longo da história nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos os nomes aqui listados pertencem ao 1% mais rico, quando não ao 0,1% mais rico e sempre revelam a característica 'familiar' do sistema judicial e do governo no Brasil, presentes em todas as suas regiões", ressaltam os pesquisadores.
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