[caption id="attachment_122501" align="alignleft" width="285" caption="Cúpula do PT pressionava André Vargas a renunciar ao mandato após revelação sobre ligações com doleiro"]
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[fotografo]Agência Câmara[/fotografo][/caption]Pressionado pela cúpula da legenda pela qual se elegeu, o deputado
André Vargas (PT-PR) entregou sua carta de desfiliação do Partido dos Trabalhadores, nesta sexta-feira (25), ao diretório municipal da legenda de Londrina. Suspeito de envolvimento com o doleiro preso Alberto Youssef, acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, Vargas diz que tomou a decisão por não ter mais o apoio do partido e para se defender no Conselho de Ética da Câmara. Ele era filiado ao PT desde 1990.
O advogado de André Vargas, Michel Saliba, confirmou a desfiliação e reiterou que seu cliente não tem a intenção de renunciar ao mandato parlamentar. Vargas abriu mão da vice-presidência da Câmara.
O paranaense resistiu aos apelos do comando petista para que renunciasse ao mandato. Alguns parlamentares defendiam sua expulsão da legenda. "A melhor solução para André Vargas é que ele renuncie, mas essa é uma decisão personalíssima. Nenhum partido ou bancada impõe às pessoas a renúncia. Mas é um pedido que temos feito e reiterado a ele, para que reflita e converse", disse o presidente do PT,
Rui Falcão, após se reunir com a bancada petista na Câmara na última quarta (23).
Cassação
André Vargas tem contra si um pedido de cassação no Conselho de Ética. Desde o dia 7, ele está licenciado do mandato por 60 dias para se defender das acusações. Também há um pedido de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o parlamentar por causa de suas relações com o doleiro preso.
Até o ex-presidente
Lula chegou a cobrar explicações de André Vargas. Em entrevista a blogueiros, Lula lembrou que André deu declarações divergentes sobre o uso do avião pago pelo doleiro. Primeiro, disse que havia bancado a despesa com combustível, depois admitiu que não pagou pela viagem do Paraná até a Paraíba. "Espero que ele consiga convencer a sociedade e provar que não tem nada além do avião. Torço por isso, porque no final quem paga o pato é o PT. Espero que não tenha nada além de uma viagem, o que já é um erro", disse o ex-presidente.
"Massacre midiático"
De acordo com a revista
Veja, o deputado petista e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos e conquistar a "independência financeira" a partir de contratos fraudulentos com o governo federal.
A revista divulgou mensagens de celular interceptadas pela PF que mostram que Vargas passava informações do governo ao doleiro e exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef. Antes disso, o jornal
Folha de S. Paulo revelou que o parlamentar viajou, de férias, em avião pertencente ao doleiro. O
Conselho de Ética e a Corregedoria da Câmara vão investigar o caso.
A Justiça do Paraná
enviou ao Supremo Tribunal Federal autos da investigação da Lava-Jato contra o vice-presidente da Câmara, que se licenciou do mandato por 60 dias, alegando sofrer "
massacre midiático". André Vargas disse ser amigo do doleiro há 20 anos, mas alega que desconhecia atividades ilegais de Youssef.
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