[caption id="attachment_128776" align="alignright" width="285" caption="Dilma e Obama conversaram pelo telefone ontem. Sem explicações, visita cancelada"]

[fotografo]Roberto Stuckert Filho/PR[/fotografo][/caption]A presidenta Dilma Rousseff cancelou a visita oficial marcada para outubro aos Estados Unidos da América. A razão é a falta de apuração e explicação sobre as recentes denúncias de
espionagem no país, além do encerramento das atividades de interceptação. Segundo reportagens veiculadas pelo programa
Fantástico, da TV Globo, a Agência Nacional do Segurança (NSA) dos EUA monitorou mensagens e conversas telefônicas de Dilma, de ministros de Estado e até da Petrobras.
De acordo com a nota divulgada na tarde desta terça-feira (17) pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), as práticas da NSA constituem "fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos". A Secom informou que Dilma e o presidente dos EUA, Barack Obama, conversaram pelo telefone ontem (16). E aí decidiram adiar o encontro oficial.
"Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington - e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação - não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada", diz a nota da Secom.
Leia a íntegra da nota:
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A presidenta Dilma Rousseff recebeu ontem, 16 de setembro, telefonema do presidente Barack Obama, dando continuidade ao encontro mantido em São Petersburgo, à margem do G-20, e aos contatos entre o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado e a assessora de Segurança Nacional Susan Rice.
O governo brasileiro tem presente a importância e a diversidade do relacionamento bilateral, fundado no respeito e na confiança mútua. Temos trabalhado conjuntamente para promover o crescimento econômico e fomentar a geração de emprego e renda. Nossas relações compreendem a cooperação em áreas tão diversas como ciência e tecnologia, educação, energia, comércio e finanças, envolvendo governos, empresas e cidadãos dos dois países.
As práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos.
Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington - e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação - não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada.
Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada.
O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida a questão de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo possível, impulsionando a construção de nossa parceria estratégica a patamares ainda mais altos."
Secretaria de Comunicação Social
da Presidência da República Federativa do Brasil"
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