Mau tempo: deputado enfrenta problemas dentro e fora da Câmara
[caption id="attachment_261199" align="alignleft" width="300" caption="Pai do deputado
Hugo Motta é acusado de receber propina"]
Hugo Motta_Antonio Cruz/Agência Brasil" src="https://static.congressoemfoco.com.br/2016/09/Hugo-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" />[fotografo]Antonio Cruz/Agência Brasil[/fotografo][/caption]O candidato à Prefeitura de Patos, na Paraíba, Nabor Wanderley da Nóbrega Filho (PMDB), pai do deputado
Hugo Motta (PMDB-PB) foi acusado de receber propina sobre uma obra realizada no município. De acordo com reportagem do jornal
O Estado de S.Paulo, a acusação consta na proposta de delação premiada de José Aloysio da Costa Machado Neto, proprietário da Soconstrói, empresa investigada na operação Desumanidade, que apura desvios na construção de Unidades Básicas de Saúde em Patos.
De acordo com o empresário, o pai do deputado recebeu 10% em propina a partir de um contrato de terraplanagem de ruas no município. A princípio, a candidatura de Nabor Wanderley da Nóbrega Filho havia sido impugnada pela Justiça, mas foi liberada após apresentação de recurso ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. O relator do caso, Ricardo Costa Freitas, votou pela liberação da chapa e a decisão final está prevista para sair para a próxima semana.
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Hugo Motta já era deputado federal nesta época. Nabor ganha as eleições e todas as obras vão ser executadas por Segundo Madruga, as empresas eram emprestadas, 10% do valor das obras iriam para o grupo político comandado por Nabor - o grupo envolve Nabor,
Hugo Motta, Chica Motta, Ilanna Motta e outros menores", disse o empresário em sua proposta de delação.
O prefeito da cidade de Emas, Segundo Madruga - cunhado de
Hugo Motta - também participava do esquema. Conforme o depoimento do empresário, em 2010, Segundo Madruga e Nabor se reuniram para estabelecer que a referida obra de terraplanagem ficaria a cargo de uma empresa de fachada chamada Suport. "Isto ocorreu em 2010, o contrato tinha o valor de 1 milhão e 96 mil. Que no caso em específico a fraude se deu pela especificidade e direcionamento do Edital", disse José Aloysio. Ao Ministério Público o empresário afirmou que os editais da Prefeitura de Patos são 'confeccionados com algumas exigências e restrições para beneficiar algumas empresas'.
Procurado, Nabor Wanderley disse que desconhece o teor da proposta de delação em questão. "Julgo muito estranha essa proposta de delação e conclusões totalmente inverídicas às vésperas da eleição, claramente com o intuito de influenciar o pleito, já que não conheço os dados mencionados", acrescenta. O candidato nega ter recebido propina ou interferido em processos licitatórios.
Clã político
Hugo Motta faz parte do clã político que comanda a cidade paraibana: Francisca Mota, prefeita da Patos e avó do parlamentar, é a chefe do grupo que detém o poder na cidade desde a década de 1950. O avô de Hugo, Nabor Wanderley da Nóbrega, foi prefeito do município entre 1956 e 1959. O pai do deputado, Nabor Wanderley da Nóbrega Filho, também dirigiu a prefeitura da cidade entre 2005 e 2012. Em 2013 Nabor foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa e teve os direitos políticos cassados pela Justiça. Recorreu da sentença e hoje é deputado estadual. E teve a sogra como sucessora. No ano passado, Nabor foi novamente denunciado pelo MPF porque apresentou um atestado médico falso para escapar de uma a audiência judicial.
Leia a reportagem completa no jornal O Estado de S.Paulo
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