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Congresso em Foco
15/7/2017 | Atualizado 16/7/2017 às 0:16
Especialistas que atuam na erradicação do crime dizem que mudanças na legislação devem banalizar a prática e dificultar sua prevenção
Por Ana Magalhães, da Repórter Brasil A reforma trabalhista, aprovada nesta terça-feira (11) no Senado Federal, banaliza o trabalho escravo e dificulta o seu combate, de acordo com especialistas que atuam na erradicação do crime no país. Ainda que a reforma não altere a forma como o trabalho escravo é caracterizado pela legislação, o texto traz várias mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que afetam o combate ao crime. Entre elas, estão a ampliação da terceirização, a contratação de autônomos de forma irrestrita, e a possibilidade de aumentar a jornada de trabalho e de reduzir as horas de descanso. Leia também: Temer sanciona reforma trabalhista Senado aprova reforma trabalhista e envia texto à sanção de Temer; Mesa foi ocupada por horas Saiba como cada senador votou na reforma trabalhista aprovada nesta terça-feira Reforma trabalhista: senadoras oposicionistas ocupam Mesa e Eunício manda desligar luz e som do plenário "As mudanças criam condições legais e permitem que a legislação banalize aquelas condições que identificamos como trabalho análogo ao escravo", afirma o auditor fiscal do trabalho Luís Alexandre de Faria. À frente da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho (Conaete), o procurador Maurício Ferreira Brito chama a atenção para os direitos que poderão ser negociados entre patrões e empregados, o chamado "negociado sobre o legislado". Segundo ele, "a depender do que se negocie, você pode legalizar práticas do trabalho escravo". De acordo com a legislação brasileira, quatro elementos podem caracterizar o trabalho escravo: condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas, servidão por dívida e trabalho forçado. Veja os pontos da reforma trabalhista que devem dificultar o combate ao crime: Terceirização A ampliação da terceirização para as principais atividades das empresas, aprovada em março pelo Congresso Nacional e detalhada pela reforma trabalhista, é apontada pelos especialistas como a principal mudança que deve dificultar o combate ao trabalho escravo. "A nossa experiência de combate ao trabalho escravo mostra que todos os resgatados são contratados por intermediários que já são autônomos ou terceirizados, e quem contrata busca se esquivar da responsabilidade", afirma Brito. Leia mais: Por que a reforma trabalhista é inconstitucional? "Negociado sobre legislado" pode reduzir salários e estimular corrupção Reforma trabalhista permite mais contratos sem seguro-desemprego e estabilidade A reforma deve aumentar a cadeia de empresas terceirizadas, distanciando o trabalhador de quem efetivamente controla a produção. Com as novas regras, segundo Faria, aumentará a prática de empresas terceirizadas que contratam outras empresas, a chamada "quarteirização". "Será mais difícil que a gente identifique quem é o real empregador", afirma.Tags
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