[caption id="attachment_274029" align="alignleft" width="300" caption="O petista Marco Maia era o relator da CPI presidida pelo então peemedebista Vital do Rêgo"]

[fotografo]Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados[/fotografo][/caption]Em mais uma ação dentro da
Operação Lava Jato, a Polícia Federal realizou, na manhã desta segunda-feira (5), buscas e apreensões em endereços ligados ao ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS) e ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo. As ações foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, relator dos processos relacionados à Lava Jato na corte.
A abertura de inquérito para investigar a participação dos dois na Lava Jato veio logo após a delação premiada do ex-senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS), em maio de 2016. Para a Procuradoria-Geral da República, que enviou o pedido de abertura de inquérito ao Supremo, os fatos descritos por Delcídio indicam que os dois cometeram crimes de concussão ou corrupção passiva.
As suspeitas são de que Maia e Rêgo cobraram propinas de empreiteiros da Petrobras no intuito de impedir convocações na CPI mista do Congresso Nacional, em 2014, e que já investigava as suspeitas de irregularidades na estatal. Na ocasião, Vital do Regô foi presidente da CPI mista da Petrobras e Maia relator. Ex-senador do PMDB e integrante do grupo de
Renan Calheiros (PMDB-AL), Vital do Rêgo passou a exercer função de ministro do TCU em 2014. Marco Maia presidiu a Câmara entre 2011 e 2012.
Em depoimento ao juiz
Sergio Moro, o ex-presidente da OAS Leo Pinheiro afirmou que pagou R$ 3,8 milhões aos parlamentares para evitar convocações e abafar o caso. O ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso na Lava Jato, também é acusado de ter recebido parte da quantia. Os mandados de busca e apreensão estão sendo realizados nos endereços pessoais, funcionais e empresariais relacionados aos investigados, nesta segunda-feira (5), em Brasília, Porto Alegre, Canoas (RS), João Pessoa e Campina Grande (PB).
Em nota, a PGR afirmou que as diligências foram realizadas por policiais federais e acompanhadas pelo Ministério Público Federal. Os fatos são investigados no inquérito 4261. Em razão das mesmas irregularidades, o ex-senador Gim Argello, vice-presidente da CPMI à época, foi condenado a 19 anos de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela 13ª Vara Federal de Curitiba, conforme explicou a PGR, que afirmou que os executivos apontaram repasses de mais de R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir para campanhas eleitorais.
A nova fase foi batizada de Operação Deflexão. De acordo com a PF, o nome faz referência ao verbo defletir, que significa procar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo, "desviar-se de uma linha, de uma direção ou de uma posição". A Operação foi batizada com este nome em alusão ao fato de que, mediante propina, empreiteiros investigados passaram à condição de blindados de uma eventual responsabização.
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