Sessão do Congresso [fotografo]Marcos Oliveira/Agência Senado[/fotografo]
O Congresso Nacional recebe no fim da tarde desta quinta-feira (3) a proposta de emenda à Constituição (PEC) da
reforma administrativa do governo federal. Enquanto a oposição, mais ligada ao corporativismo do serviço público, recebeu mal a proposta, partidos de centro e direita elogiaram a iniciativa. Para ser incorporada à Constituição, a proposta precisa ser aprovada por 3/5 da Câmara e do Senado (correspondente a 308 deputados e 49 senadores) em dois turnos de votação em cada Casa.
A equipe econômica do governo tenta desde o final de 2019 enviar a PEC, mas a proposta nunca chegou ao Congresso por conta da insatisfação de
Jair Bolsonaro com o tema, que provoca resistência no serviço público.
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Segundo apresentação feita pelo Ministério da Economia, o texto faz uma mudança ampla na regulamentação do serviço público e permite o fim da estabilidade para a quase totalidade das categorias. As carreiras típicas de Estado, ou seja, que não encontram função correspondente na iniciativa privada, serão exceção e manterão a estabilidade. A reforma vai definir quais são esses cargos.
A iniciativa também exclui a possibilidade de aumento de salário do servidor público exclusivamente por tempo de serviço e aumenta o poder da Presidência da República na criação ou extinção de cargos ou estruturas da máquina pública, desde que não haja aumento de despesas.
Veja algumas reações do Congresso:
Para o líder do Podemos na Câmara,
Léo Moraes (RO), a reforma é bem-vinda e um acerto do presidente Bolsonaro. "O Brasil precisa de um Estado mais moderno e a população brasileira necessita de um serviço de melhor qualidade", afirmou. "Esperamos também que a proposta aponte para o corte penduricalhos do alto escalão, impedindo que um servidor, pago com dinheiro do contribuinte, possa chegar a ter salário de R$ 200 mil, 300 mil ou até de R$ 1 milhão por mês."
Já o senador
Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da Minoria no Senado, considerou que a reforma não reduzirá o gasto público e vai aprofundar as desigualdades existentes no setor público. Ele defendeu que o Congresso reduza gastos, tais como verbas indenizatórias. "Não podemos mudar estrutura dos outros sem mudarmos primeiro as nossas", disse ele em vídeo.
O senador
Lasier Martins (Podemos-RS) pontuou que a reforma é imperiosa para o Brasil. "Embora valendo só para os novos funcionários públicos, a Reforma Administrativa já é um bom começo."
A líder do PCdoB,
Perpétua Almeida (AC), considerou que a proposta é "mais uma daquelas promessas de quem se mostrou incapaz de construir um projeto de país e de nação" e mais uma falsa solução milagrosa. "Significa mais um passo no desmonte do Estado nas áreas da saúde, da educação e da segurança. Já o patrimônio daqueles que ficaram mais milionários na pandemia, permanece intocável. E a desigualdade social segue galopante."
O senador
Antonio Anastasia (PSD-MG) elogiou o governo pelo envio da proposta ao Congresso, reforçando que adota postura independente. "Essa PEC pretende alterar pontos importantes da nossa Constituição que já estavam ultrapassados", avaliou.
A ex-líder do Psol
Fernanda Melchionna (RS) afirmou que a proposta é "a destruição do serviço público" e abre espaço para perseguição ideológica e corrupção.
O deputado
Alexis Fonteyne (Novo-SP) afirmou que a reformulação do setor público vai valorizar o servidor. "A reforma administrativa será salutar para todos."
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