Indígenas protestavam próximo à Câmara dos Deputados em Brasília [Fotos Ya Gavião / @joseruigaviao, Leo Otero e Andressa Zumpano/Articulação das Pastorais do Campo
Além dos
protestos de indígenas que ocorreram nesta quarta-feira (23) em Brasília, contra o PL 490/2007, deputados de oposição ao governo Bolsonaro também se manifestaram, nas redes sociais, em desfavor à proposta que altera o Estatuto do Índio, permitindo demarcação de terras indígenas e autorizando atividade extrativa dentro das reservas destinadas às populações originárias. Influenciadores digitais, representantes de movimentos e outros políticos também repudiaram o projeto,
aprovado nesta quarta pela
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
A proposta do PL 490 prevê que, para ter uma terra demarcada, povos indígenas precisam comprovar que o espaço foi ocupado em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. Entre outros pontos do texto criticados por ONGs e associações defensoras dos direitos humanos, há ainda a proibição da ampliação de terras que já foram demarcadas previamente.
O líder da oposição na Câmara, o deputado
Alessandro Molon(PSB - RJ), escreveu no Twitter que a CCJ ignora "o apelo de representantes de mais de 40 povos indígenas" ao ameaçar votar o PL. "Precisamos impedir essa violência! A sua pressão nas redes é essencial para barrar esse absurdo!", disse.
A deputada
Erika Kokay (PT - DF) também se manifestou na rede social: "Os que querem arrancar o território dos povos indígenas sem ouvi-los e consultá-los são COVARDES! É luta e resistência contra esse massacre contra os povos originários. Arrancar a terra é arrancar a vida desses povos!".
"É um absurdo que a deputada
Bia Kicis e a base de apoio de Bolsonaro queiram aprovar um ataque brutal contra a vida dos povos indígenas sem ao menos ouvi-los", escreveu Kokay. O líder do PT na Câmara, deputado
Bohn Gass(PT - RS), afirmou que o PL é uma "tentativa de oficializar o roubo da terra indígena". "E querem que esses povos aceitem isso calados? Não!", disse, no Twitter.
A líder do PSOL na Câmara, deputada
Talíria Petrone (PSOL - RJ), escreveu que o PL "legitima o genocídio"dos povos indígenas, e que a base do governo "tem as mãos sujas de sangue".
O YouTuber e influenciador digital Felipe Neto também se posicionou de forma contrária ao projeto e levantou a hastag #PL490NÃO, que posteriormente ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter no país. Já a cantora Daniela Mercury
disse, na rede social, que "quando o Estado ataca direitos indígenas, está atacando os direitos de todo o povo brasileiro".
"A gana do governo e sua base pelas terras indígenas é tanta que hoje o PL 490 é pauta única da reunião da CCJC. O ataque contra um dos segmentos mais vulnerabilizados da sociedade é um ataque a todos que respeitam a dignidade humana",
escreveu a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (REDE).
Veja outras reações:
> Bia Kicis interrompe Joenia durante sessão sobre terras indígenas
> Sonia Guajajara: "Se aprovado, é decreto de morte dos povos indígenas"
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Indígenas são reprimidos durante protesto contra demarcação de terra
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