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Paulo José Cunha
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Escuta aqui: e quando vão pôr na cadeia esses pastores ladrões?
Paulo José Cunha
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08/04/2019 | Atualizado às 16h35
>> Bolsonaro indica saída de Vélez do Ministério da Educação e fim do horário de verão
Onde se lê: "Executivo chamou para si mais funções" leia-se: "ditadura" Vélez diz que o 31 de março foi uma decisão soberana da sociedade brasileira. Não foi. E a história demonstra: foi apenas uma quartelada. O que ele chama de "sociedade" eram apenas aquelas senhoras pias e contritas que participaram da Marcha com Deus pela Liberdade. E se não foram os quartéis que colocaram Castello no poder, quem o colocou lá? O povo? Ou alguém acredita, como Vélez e Bolsonaro acreditam, que o fajuto colégio eleitoral que carimbava as escolhas dos generais de plantão era democrático? Ele diz que o que houve foi um momento "em que o Executivo chamou para si mais funções". Se não fosse trágico, seria de matar de rir. Porque se trata, apenas, de uma definição heterodoxa de ditadura, momento em que "o Executivo chamou para si mais funções". Apenas...todas. Todas, como em qualquer ditadura. Detalhe: os militares já resolveram essa questão de 1964 há muito tempo. Vários deles se envergonham do que foi praticado ali e não estão dispostos a exumar essa história. Sabem que o mau cheiro será insuportável. Mas o pior vem agora. Vélez teve a coragem de anunciar que vai mesmo (isto se ainda for ministro, alguém aí confere, por favor), fazer "mudanças progressivas nos livros didáticos" para realizar uma revisão das versões sobre o regime militar. A Carta Brandi foi uma baita fake news Com certeza, Vélez acredita na versão de que João Goulart queria implantar a tal de "república sindicalista" para implantar o comunismo no Brasil. O ministro podia procurar saber o que foi a "Carta Brandi". Iria parar de falar bobagens. Não precisa ir ao Google, eu conto. A "Carta Brandi" foi uma carta divulgada em setembro de 1955, endereçada a João Goulart, candidato a vice-presidente da República, e atribuída ao deputado argentino Antônio Jesús Brandi. O documento se referia a supostas articulações de Goulart com o governo argentino, chefiado à época por Juan Domingo Perón, visando à deflagração no Brasil de um movimento armado de cunho sindicalista. Um inquérito policial-militar, instaurado em outubro do mesmo ano, comprovou que a tal carta era um documento apócrifo, forjado por falsários argentinos para ser vendido aos opositores de Goulart. Ou seja: tudo não passou de uma fake news, para usar o palavreado de hoje, inventado para servir de munição aos opositores de Goulart. E ainda hoje, gente como Vélez e Bolsonaro sustentam a versão falsa como se ela fosse verdadeira. Como o autoritarismo está na base de todas as decisões ou anúncios do atual governo, não custa lembrar ao ministro e ao Presidente que mudar conteúdo de livros didáticos não se faz com uma canetada. Para isso terá de ser criada uma comissão com representantes do ministério, da sociedade e da academia e de especialistas em história contemporânea. Que dificilmente farão uma revisão tão profunda na história recente. Enquanto isso, os livros continuarão a contar a versão correta de que o Brasil foi dominado por uma ditadura militar durante 21 anos, durante a qual houve prisões ilegais, sequestros, torturas, censura, assassinatos e o diabo. Lamento, ministro (alguém vê aí se ele ainda é ministro), mas "los echos son los echos". Quer o senhor queira, quer não queira.>> Deputada de 25 anos, Tabata Amaral enquadra ministro da Educação. Veja o vídeo que viralizou
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