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Lydia Medeiros
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ELEIÇÕES 2026
27/3/2025 | Atualizado às 14:41
Jair Bolsonaro deu o tom que deve orientar seus apoiadores durante o longo julgamento que vai enfrentar. No discurso enraivecido que fez após virar réu no Supremo se apresentou como vítima da Justiça, um líder popular impedido de voltar ao poder. Bolsonaro já está inelegível, mas insiste numa candidatura de ficção para 2026.
Dias atrás, ele dera sinais, ainda que frágeis, de haver entendido a necessidade de se retirar do cenário eleitoral e ajudar a pavimentar o caminho para um herdeiro. Na quarta-feira, voltou atrás. Seus adversários comemoraram. Afinal, o comportamento do ex-presidente deverá manter a fragmentação no campo da direita, atrapalhando a consolidação de uma candidatura presidencial.
Governadores que são potenciais candidatos a receber o apoio de Bolsonaro endossaram a fala do ex-presidente, como Tarcísio de Freitas (o mais empenhado), Jorginho Melo (SC), Cláudio Castro (RJ), Ratinho Jr (PR) e Ronaldo Caiado (GO) o menos entusiasmado. Todos sabem que daqui em diante Bolsonaro vai reciclar argumentos para uma defesa política, enquanto seus advogados usam todos os recursos jurídicos disponíveis.
O tempo que o ex-presidente precisa joga contra as pretensões eleitorais dos seus aliados. Apesar de esses governadores e outros, como o gaúcho Eduardo Leite serem bem avaliados em seus estados, são desconhecidos para a maioria do país. Um problema que o adversário comum, o presidente Lula, não tem.
O petista tem outros desafios e enfrentar para recuperar a popularidade perdida, sobretudo econômicos, como o preço dos alimentos. A situação de Bolsonaro pode também criar dificuldades para o governo petista no Congresso. O PL já anunciou que pretende obstruir todas as votações caso não seja levado a votação o pedido de urgência para a tramitação do projeto que anistia os condenados pelos atos do 8 de janeiro. Hugo Motta está na Ásia com Lula e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Certamente, a pauta legislativa entrou no cardápio das conversas. A pressão sobre o presidente da Câmara será intensa, e o governo não tem maioria na Casa.
Se Hugo Motta colocar a urgência em votação, tudo indica que a oposicão seria vitoriosa, e a aprovação da anistia no Congresso se transformaria numa declaração de guerra ao Supremo durante a campanha eleitoral de 2026. Esse, porém, é um cenário improvável, por várias razões. Uma delas é que o julgamento tira o fôlego político e eleitoral de Bolsonaro. Outra é a indisposição de Hugo para levar o tema à votação, porque nada teria a ganhar. E, por fim, o país pagaria um preço alto, imobilizado numa grave crise institucional no meio de uma campanha eleitoral.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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