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MULHERES NA POLÍTICA
1/3/2025 10:00
O atraso na inclusão de mulheres como parte do eleitorado brasileiro as colocou à margem da política e com dificuldades de romper a porta de vidro. Quatrocentos anos separam a primeira eleição do Brasil do primeiro ato de inclusão eleitoral das mulheres. Em 23 de janeiro de 1532, os moradores de São Vicente, primeira vila fundada na colônia portuguesa, participaram da primeira eleição no Brasil, escolhendo seis representantes para o Conselho Municipal.
Em 24 de fevereiro de 1932, Getúlio Vargas assinava o Código Eleitoral que garantiu às mulheres o direito de votar e serem votadas pela primeira vez na história do país. Inicialmente, o voto era facultativo e restrito a mulheres com profissão remunerada. Foi somente em 1934, com a promulgação da nova Constituição, que o voto feminino se tornou oficialmente um direito universal no Brasil. São 93 anos dessa conquista fruto de intensa mobilização social por grupos de mulheres.
Desde o início da República, em 1889, o país teve uma única presidenta, Dilma Rousseff, e 16 governadoras mulheres. Dessas, só oito foram eleitas para o cargo, as demais eram vice-governadoras que ocuparam o posto com a saída do titular. Apenas 12% das prefeituras brasileiras são comandadas por mulheres, e 4% por pessoas negras. Na Câmara dos Deputados, foram eleitas 91 deputadas federais, representando 18%. Destas, 29 se declararam negras e quatro indígenas, enquanto 58 são brancas. Dos 38 cargos ministeriais, oito são ocupados por mulheres, representando 21% do total. Dessas, três se declaram negras e uma, indígena.
Se por um lado a representatividade política feminina é limitada, por outro, o voto feminino possui um impacto crescente e inegável. As mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro, somando mais de 100 milhões de brasileiras. Esse contingente tem se mostrado decisivo nas últimas eleições.
Em 2022, análises do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de institutos como o Datafolha e o Ipec indicaram que o voto feminino foi determinante para o resultado presidencial, especialmente entre as eleitoras indecisas um grupo que historicamente é mais cauteloso e crítico na definição de votos.
As mulheres representaram o maior percentual de eleitores que decidiram o voto na reta final da campanha, sendo responsáveis por 60% desse grupo, segundo o Datafolha. Um exemplo concreto foi o aumento da rejeição feminina a candidatos que não apresentaram propostas consistentes para temas como igualdade de gênero, saúde e educação temas que, segundo o Instituto Locomotiva, tiveram alta relevância para 72% das eleitoras em 2022.
Além disso, dados do TSE apontaram que as mulheres apresentaram maior taxa de comparecimento às urnas em comparação aos homens, com 79,1% das eleitoras comparecendo no segundo turno das eleições de 2022, em contraste com 76,8% dos eleitores do sexo masculino. Pesquisas do Instituto DataSenado indicam que 76% das mulheres entrevistadas demonstraram interesse em se engajar mais em temas políticos. Houve também um aumento no número de candidaturas femininas: em 2022, 33% dos registros para a Câmara dos Deputados foram de mulheres, um crescimento em relação às eleições anteriores, ainda que apenas 18% dessas candidatas tenham sido eleitas.
Esses dados e exemplos concretos mostram que abrir espaço para mulheres na política não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma resposta estratégica a um eleitorado que tem demonstrado maior participação e influência no cenário político. O impacto do voto feminino vai além da definição de resultados eleitorais: ele reflete demandas por políticas públicas mais inclusivas e representa um avanço estratégico para a democracia brasileira.
Se a democracia é, por definição, o governo do povo, para o povo e pelo povo, como pode ser completa quando mais da metade da população não se vê representada? A falta de representatividade política feminina é um reflexo claro de um déficit democrático. O voto feminino é uma ferramenta poderosa de transformação. Ele pode decidir eleições, sim, mas também pode mudar realidades, romper barreiras e criar novas possibilidades. Cada mulher que vota com consciência de seu poder fortalece a democracia e alimenta um ciclo de progresso.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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