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caça aos golpistas
Congresso em Foco
8/2/2024 | Atualizado 9/2/2024 às 16:31
A Operação Tempus Veritas, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (8), atingiu em cheio a extrema direita ao localizar na cena do crime o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o seu entorno de militares e outras figuras importantes do seu governo, todos enredados na construção de uma trama golpista para tentar mantê-lo no poder e ignorar o resultado eleitoral de 2022.
Um dos alvos da operação, o ex-presidente teve de entregar seu passaporte e está proibido de deixar o país e de se comunicar com os demais investigados. Também estão envolvidos nas investigações ex-ministros importantes, como os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, apontados como artífices de manobras golpistas. Ao menos 16 militares estão sob a mira da PF.
As apurações da Polícia Federal indicam que Bolsonaro, diferentemente do que sempre sustentou, participou de reunião para discutir uma forma de não reconhecer a eleição de Lula e pediu mudanças na minuta do decreto que buscava efetuar um golpe de Estado. Segundo as investigações, o então presidente recebeu o texto das mãos de seu assessor especial Filipe Garcia Martins, preso nesta manhã, e do advogado Amauri Saad, apontado como autor da tese.
Além de Filipe, outros três militares ligados diretamente ao ex-presidente tiveram a prisão preventiva decretada. As ações foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Após os ajustes de redação, Bolsonaro concordou com os novos termos e convocou uma reunião com os comandantes das Forças Armadas para pressioná-los a aderir ao golpe, de acordo com a Polícia Federal. A versão original previa as prisões dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do Supremo, e do presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Bolsonaro, de acordo com os investigadores, optou por manter a determinação apenas contra Alexandre, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Conforme as investigações, o comandante do Exército, Freire Gomes, não encampou a a aventura golpista. Em mensagem trocada com um militar da reserva, Braga Netto, que foi candidato a vice de Bolsonaro em 2022, chamou de "cagão" o colega general. "Meu amigo, infelizmente tenho que dizer que a culpa pelo que está acontecendo e acontecerá é do Gen. FREIRE GOMES. Omissão e indecisão não cabem a um combatente", escreveu.
Segundo a decisão de Moraes, os registros das conversas "evidenciaram a participação e adesão do investigado WALTER SOUZA BRAGA NETTO na tentativa de golpe de Estado, com forte atuação inclusive nas providências voltadas à incitação contra os membros das Forças Armadas que não estavam coadunadas aos intentos golpistas, por respeitarem a Constituição Federal". Além de Freire Gomes, o general Braga Netto também articulou ações para pressionar o tenente-brigadeiro Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB). Braga Netto chamava o militar de "traidor da pátria".De acordo com as investigações, o núcleo do governo Bolsonaro atuou no "planejamento e execução de atos tendentes à subversão do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe Militar" para "impedir a posse do Presidente legitimamente eleito [Lula]".
A cúpula do governo Bolsonaro ainda discutiu agir contra instituições antes das eleições, segundo a Polícia Federal. A sugestão teria partido do general Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
"Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições", teria dito Heleno em uma reunião do grupo em 5 de julho de 2022. "Nós vamos ter que agir. Agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas", defendeu.
As falas foram recuperadas por meio de um vídeo no computador do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que fechou um acordo de delação premiada com a Justiça. Cid tinha um vídeo da reunião entre Bolsonaro e os investigados. A delação de Cid e as investigações sobre as milícias digitais, objeto de inquérito no Supremo, foram os pontos de partida para a Tempus Veritas.Para embasar a operação desta quinta, a PF apontou a existência de seis núcleos envolvidos na trama golpista:
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