A comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) suspendeu a reunião na qual o relator das questões de ordem sobre as CPIs da Petrobras, senador Romero Jucá (PMDB-RR), acatou a colocação de temas sugeridos por parlamentares governistas no mesmo objeto de investigação.
O debate sobre o voto proferido por Jucá e a votação do relatório elaborado por ele devem ter continuidade na sessão desta quarta-feira (9). A reunião de hoje foi suspensa por conta do início da sessão plenária.
A decisão de Jucá é favorável ao Palácio do Planalto porque permite que seja instalada uma CPI mais ampliada no Senado -- com temas que atingem os dois principais adversários da presidenta Dilma Rousseff nas eleições de outubro: o senador
Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE).
Na reunião da CCJ realizada hoje, senadores do PSDB e do DEM voltaram a pedira uma CPI exclusiva para a Petrobras. Os oposicionistas defendem que haja uma investigação apenas sobre supostas irregularidades na estatal. Para Jucá, porto de Suape e contratos de metrôs devem ser investigados.
"Quanto à investigação sobre o porto de Suape, percebe-se que a refinaria de Abreu e Lima situa-se no complexo sob administração da Petrobras. Quanto ao outro fato descrito [cartel do metrô], justifica-se a competência investigativa federal apenas em eventuais ilícitos relacionados à aplicação de recursos federais ou decorrentes de parcerias com o governo federal", justificou Jucá.
O PT alegou que a CPI não poderia sair do papel porque não tinha "fato determinado" ao reunir quatro assuntos desconexos envolvendo somente a Petrobras. Mas Jucá avaliou que diversas CPIs já foram criadas no Congresso com fatos diversos de investigação.
Em seu voto, Jucá sugeriu retirar do escopo da CPI superfaturamento de convênios e contratos, firmados por órgãos e entidades estaduais e municipais, para aquisição de equipamentos e desenvolvimento de projetos na área de tecnologia da informação e utilizando recursos da União -tema também sugerido pelo PT para ser apurado pela comissão de inquérito.
Há quatro pedidos de criação de CPIs da Petrobras em tramitação no Congresso, dois apresentados pela oposição e dois por aliados do Planalto. Dois deles são de CPIs exclusivas do Senado e outros dois de CPIs mistas. Mas a CCJ está avaliando apenas questões relacionadas às CPIs exclusivas.
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